Descubra como Andorra – uma pequena nação nos Pirenéus – está a tornar-se pioneira da energia verde e líder da economia circular na Europa.

Andorra, um pequeno país montanhoso nos Pirenéus, entre Espanha e França, tem vindo a tornar-se um dos pioneiros na transição para a energia verde e uma referência da economia circular na Europa. Produz 36 GWh de energia térmica para as suas redes de aquecimento e refrigeração urbana. Isto ajuda o país a reduzir a sua dependência dos combustíveis fósseis e a diminuir o consumo de eletricidade e CO₂, ao mesmo tempo que proporciona conforto a milhares de clientes. Leia a história e veja o vídeo para saber mais.

Dados do caso

Tema: Energia urbana
Localização: Andorra
Cliente: FEDA – a empresa nacional de energia urbana

Quer um PDF?

Pode descarregar o PDF ou continuar a ler o caso abaixo.

Andorra-a-Velha, a capital do país, produz 36 GWh de energia urbana por ano para o aquecimento e a refrigeração de casas e edifícios nos vales e montanhas. Este pequeno país está a acelerar a transição para a energia verde no Sul da Europa.

A situação

Andorra é um pequeno país situado nas montanhas dos Pirenéus, na fronteira entre Espanha e França. É visitado por cerca de 6 a 8 milhões de turistas todos os anos para desportos de inverno, paisagens e compras. Com os seus vales profundos e cumes elevados, tem-se revelado também uma das pioneiras na transição para a energia verde no sul da Europa.

Desde a década de 2010, a empresa nacional de energia – a Forces Electriques d'Andorra (FEDA) – tem vindo a afastar o país dos combustíveis fósseis. "Sabíamos que isto exigia uma maior eletrificação, porque a eletricidade é a melhor forma de introduzir fontes renováveis no nosso sistema energético", afirma Nerea Moreno de Salvador, Diretora de Comunicação, Sustentabilidade e Clientes da FEDA.

No entanto, devido ao aumento constante do número de carros elétricos, tem havido um aumento associado da necessidade de eletricidade, incluindo picos no fornecimento, diz Nerea. Normalmente, isso significaria um enorme investimento para aumentar a rede elétrica.

"Por isso, em 2016, decidimos optar pelo aquecimento urbano como uma alternativa mais eficiente e sustentável ao aquecimento tradicional. Também nos permite evitar um aumento do consumo de eletricidade, incluindo os picos de necessidade que ocorrem no inverno, quando a necessidade no nosso país é maior", afirma ela.

Para construir as redes energéticas urbanas do país, a FEDA criou a subsidiária FEDA Ecoterm. A sua missão é reduzir a necessidade de aquecimento elétrico e, em simultâneo, diversificar a produção doméstica de eletricidade nos períodos de maior procura, diminuindo assim o risco energético para o país. O Diretor de Engenharia Térmica da FEDA, Hans Urban, explica a lógica simples da energia urbana – um termo que abrange tanto o aquecimento como a refrigeração urbana. O centro de Andorra-a-Velha, a capital do país, tem inúmeros edifícios de escritórios e apartamentos de vários andares. Sem energia urbana, "cada edifício teria os seus próprios chillers, sistemas de aquecimento, bombas de calor e por aí fora”, explica Hans.

Contudo, na energia urbana, o aquecimento e a refrigeração são produzidos centralmente e circulados por sistemas de bombas para todos os edifícios, gerando eficiência. "A necessidade de eletricidade será muito menor do que se cada edifício tivesse instalações de equipamentos individuais. Esse é o nosso objetivo. Graças à produção central, conseguimos fazer isto muito melhor do que em instalações individuais. E ao assumir uma parte da necessidade de eletricidade de Andorra e transferi-la para um sistema centralizado de aquecimento e refrigeração adequado, podemos controlar e limitar o pico de consumo", diz Hans Urban.

O fornecimento em tubos isolados da FEDA Ecoterm para aquecimento urbano, para o transporte de água de alimentação aquecida a 90 °C para os clientes e de retorno a 60 °C.

A colaboração com a Grundfos permite-nos, acima de tudo, otimizar o nosso consumo de eletricidade e, em última análise, poupar energia – o que é uma das prioridades da FEDA.
Nerea Moreno de Salvador, Diretora de Comunicação, Sustentabilidade e Clientes da FEDA

A solução

A FEDA Ecoterm, subsidiária da FEDA, desenvolve soluções de energia urbana. A primeira foi uma central de cogeração para produção de calor e também eletricidade na aldeia de esqui de Soldeu, em 2016. Uma rede de tubagens de cerca de 5800 m (3,6 milhas) fornece aquecimento e água quente às casas, hotéis e edifícios recreativos locais. Ao longo dos próximos anos, a FEDA Ecoterm planeia fazer a conversão de gás para biomassa renovável para produzir essa energia, explica Nerea Moreno de Salvador. Em 2019, a empresa lançou a rede de calor de Andorra-a-Velha, que começa no centro de tratamento de resíduos de biomassa CTRASA, na encosta acima da cidade. Hans Urban diz que a central produz cerca de 80% de todo o calor da rede. "A ideia de construir uma rede aqui surgiu porque tínhamos muito calor que não estava a ser usado", indica ele. A central fornece 30GWh de energia térmica por ano, evitando as emissões de 6700 toneladas de CO₂. Além disso, o vapor gerado pela incineração de resíduos produz 20 GWh de eletricidade por ano.

Foi também construída outra rede nos arredores do centro da cidade – o sistema de energia urbana de Escaldes-Engordany, que inclui a primeira rede de refrigeração de Andorra. Utiliza energia aerotérmica (baseada no ar), assim como energia térmica fria proveniente do rio. Estas instalações atípicas foram construídas sobre uma ponte, junto ao Rio Valira do Norte. Segundo Hans Urban, o sistema extrai a água do rio, utiliza o seu calor térmico e depois devolve-a ao rio com uma diferença máxima de temperatura de 1 °C, para um impacto ambiental mínimo. Atualmente, abastece 740 habitações, juntamente com três complexos de arranha-céus.

"Depois de construirmos este sistema, muitos outros clientes pediram para se ligarem à rede, incluindo um hospital local”, indica Hans Urban. "Por isso, precisámos de fazer instalações maiores e decidimos usar a água do rio para ajudar a produzir refrigeração.” Nerea Moreno de Salvador afirma que um sistema como o de Escaldes-Engordany poupa energia, ao mesmo tempo que proporciona conforto durante todo o ano.

"Graças à colaboração com a Grundfos, recebemos um excelente aconselhamento sobre a utilização dos melhores sistemas de bombeamento," indica Nerea. "Isso permite-nos, acima de tudo, otimizar o nosso consumo de eletricidade e, em última análise, poupar energia – o que é uma das prioridades da FEDA.”

Nerea continua: "No final de contas, o aquecimento urbano oferece-nos uma alternativa para fazer a transição do aquecimento tradicional para um sistema de aquecimento mais eficiente – sem a necessidade de alterar toda a instalação necessária para aquecimento elétrico."

Hans Urban acrescenta: "A produção pode ser feita por diferentes caldeiras, ou biomassa – ou, como em Escaldes, por um chiller de água-água. Permite-nos utilizar outros tipos de tecnologias, reduzindo o consumo de eletricidade e as emissões de CO₂ ao alterar o sistema. Ter uma rede permite-nos usar qualquer tipo de energia que se pretenda instalar."

Andorra não é um sítio como os outros para o aquecimento urbano. Como poderíamos superar estes desafios das pressões elevadas? Então, pensámos: ‘Porque não usar bombas de pressurização?’
Jordi Caballol, Diretor Técnico de CBS, Bombas Grundfos España

Mudar as regras

Devido às grandes diferenças de altitude em Andorra, os responsáveis pela conceção do sistema precisavam de uma abordagem diferente. "Não podemos esquecer que bombear é o cerne de tudo", diz Jordi Caballol, Diretor Técnico de CBS, Bombas Grundfos España. "Quando começámos a conceber estas instalações, projetámo-las como a maioria dos sistemas de aquecimento urbano do mundo – utilizando uma bomba horizontal de tipo axial."

"Mas Andorra não é um sítio como os outros. Andorra é um vale, e as instalações estão situadas no topo da montanha, mas também a jusante. Por isso tivemos de nos juntar para perceber como poderíamos superar estes desafios derivados das elevadas pressões nestas instalações. Como poderíamos fazê-lo? Então, pensámos: ‘Porque não usar bombas de pressurização?’ E foi o que fizemos. Atualizámos as regras do jogo, porque o país precisa destas instalações."

Hans Urban diz que trabalhar com Jordi tem sido "muito fácil".

"O acesso ao Jordi é muito fácil. Ele responde sempre muito depressa. Para nós, isso é bom e muito importante. Portanto, esse é um dos principais fatores. O produto é bom, mas a assistência é melhor", diz Hans Urban. "E é isso que importa. Precisamos de alguém que nos forneça o que queremos e que dê resposta aos problemas – e a Grundfos dá-nos tudo isso."

O resultado

Com três redes de energia urbana instaladas e mais a caminho, os benefícios já se fazem sentir em Andorra.

"Graças ao aquecimento urbano, atualmente fornecemos cerca de 36 GWh de energia térmica em todo o país", diz Nerea Moreno de Salvador. "Significa que se todos estes sistemas de aquecimento se tivessem tornado sistemas elétricos, a necessidade de eletricidade seria 7% superior." Hans Urban afirma que a transição do aquecimento e refrigeração para energia urbana não só ajudou a reduzir as emissões de CO2 e a necessidade de energia, como também permitiu ao governo de Andorra evitar o colapso da sua rede elétrica a longo prazo e manter um abastecimento energético seguro e autónomo.

"O aquecimento e a refrigeração urbana permitem-nos usar diferentes fontes de energia – não apenas um tipo em particular", diz ele. "Em Andorra-a-Velha, usamos biomassa. Em Escaldes, usamos a água do rio para refrigeração. É um plano de combustão mais moderno e sustentável, permitindo-nos usar outras tecnologias na nossa rede. Isto em vez de termos uma rede e instalações individuais para cada edifício."

Nerea Moreno de Salvador diz: “Para nós, é uma questão de orgulho termos conseguido desenvolver estas redes de aquecimento urbano. É um dos projetos de sucesso no país desenvolvidos pela FEDA, porque, com uma solução que era desconhecida até há apenas nove anos, conseguimos fornecer um sistema mais eficiente para o país. É um sistema que contribui para a descarbonização de Andorra e, ao mesmo tempo, é uma boa solução para os clientes."

Para nós, é uma questão de orgulho termos conseguido desenvolver estas redes de aquecimento urbano. Contribui para a descarbonização de Andorra e, ao mesmo tempo, é uma boa solução para os clientes.
Nerea Moreno de Salvador, Diretora de Comunicação, Sustentabilidade e Clientes da FEDA

Visão geral dos produtos referidos neste caso real

Saiba que produtos foram utilizados e como contribuíram para os resultados do caso.

 

Descobrir aplicações relacionadas

Saiba mais sobre as aplicações mencionadas neste caso real.